sexta-feira, 5 de março de 2010

Manifesto



“LUTAR NÃO É CRIME”

O Comitê Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais é um amplo fórum de mobilização, debate e unidade de lutas populares composto por movimentos sociais, entidades de defesa dos direitos humanos, pastorais sociais, partidos políticos e mandatos populares. Este instrumento político busca contribuir na denúncia e no enfrentamento de uma das principais violências que nos deparamos atualmente em nossa sociedade: a criminalização das lutas e dos movimentos sociais.

Nossa sociedade está sendo arrebatada por uma perversa e ideológica inversão, que maquia e manipula a realidade. Aqueles que, historicamente, mantém a lógica dos privilégios, da concentração de renda e de terras, da pobreza das massas e da manipulação da comunicação e da informação, se vitimizam frente as lutas reais e legítimas das trabalhadoras e trabalhadores dos diversos movimentos sociais. Ora, é crime reivindicar e lutar para a efetivação dos artigos 5º e 6º da Constituição Federal? Mais que isso, e muito mais legítimo e cotidiano: é crime se organizar para superar a fome e a miséria, o desemprego e o subemprego, a perda da humilde habitação por conta de enchentes, para garantir dignidade ou simplesmente sobreviver frente às grandes taxas de homicídios que têm como alvo as periferias, especialmente a juventude?

É crime qualquer situação que ponha em risco a vida humana em sua integralidade, seja material ou espiritual. Nosso momento é crucial: compreender a noção de crime não meramente no âmbito jurídico, mas, sobretudo, no âmbito ético e humano. E a luta pela promoção da integralidade de cada ser humano é ação política e social, é a busca de uma nova ordem política e econômica que tenha a justiça social como seu fio condutor, diferente de nosso atual modelo neoliberal.

Por conta disso, o Comitê Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais afirma veementemente que:

É crime o latifúndio, a monocultura e o atual modelo de agronegócio;
É crime o trabalho escravo, o desemprego e o subemprego;
É crime os suntuosos lucros do capital financeiro, das grandes empresas privadas transnacionais e nacionais;
É crime a falta de educação pública de qualidade, assim como a falta de creches e de vagas para estudantes em escolas do ensino básico e do ensino superior, bem como a cobrança de taxas pelo ensino público;
É crime a utilização do interdito proibitório pelo Judiciário, como instrumento para perseguir, intimidar e impedir a organização sindical dos trabalhadores;
É crime a falta de moradia de qualidade, assim como a falta de infra-estrutura que causa enchentes e inundações no lar de trabalhadoras e trabalhadores;
É crime o sucateamento do sistema prisional, a violência e a repressão com que são tratados os moradores das periferias, a população de rua e os jovens;
É crime o monopólio da comunicação e da informação em nosso país, assim como a manipulação que sofrem pelas mãos das empresas de comunicação e das famílias que as controlam.

É luta social e política legítima e legal as reivindicações dos movimentos sociais que defendem os direitos humanos e sociais;
É luta social e política legítima e legal as greves das trabalhadoras e trabalhadores, tanto na iniciativa privada quanto no serviço público;
É luta social e política legítima e legal as ocupações em propriedades rurais improdutivas ou griladas;
É luta social e política legítima e legal as ocupações em imóveis abandonados e entregues à especulação imobiliária;
É luta social e política legítima e legal o resgate da memória histórica do Brasil e das dívidas sociais;
É luta social e política legítima e legal o esclarecimento dos crimes políticos e as violações dos direitos humanos por parte da ditadura militar e civil no Brasil, de 1964 a 1985;
É luta social e política legítima e legal os movimentos e ações dos grupos juvenis contra a violência e contra o extermínio juvenil;
É luta social e política legítima e legal a manifestação pública daqueles que têm seu lar violentado por enchentes e inundações, e que exigem soluções e encaminhamentos urgentes do Poder Público;
É luta social e política legítima e legal a busca de maior investimento para a agricultura familiar, que produz o alimento para o povo brasileiro;
É luta social e política legítima e legal as intervenções de estudantes por educação pública de qualidade nos níveis infantil, fundamental, médio e superior, sem a cobrança de taxas além dos impostos já pagos.

Criminosa é a elite agrária, industrial e financeira, que coloca seus lucros acima da vida e dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras. Criminosos são os representantes corruptos nos parlamentos e nos poderes executivos, criminosos são os membros do judiciário, omissos e negligentes com a corrupção e com as injustiças.

Os Movimentos Sociais e as suas lutas são frutos da organização do povo, das trabalhadoras e dos trabalhadores, expressão de criatividade e de descontentamento com uma realidade que viola a vida e ação pela busca de direitos e justiça.


Comitê Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais

Por Justiça!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Educandos e educadores: Seus direitos e o currículo – Apresentação

Antes de começar a postar minhas reflexões sobre o texto Educandos e educadores: Seus direitos e o currículo, acho interessante que vocês leiam uma pequena apresentação do documento, presente no próprio texto.

“Em ‘Educandos e Educadores: seus Direitos e o Currículo’, de Miguel Gonzáles Arroyo, há uma abordagem sobre o currículo e os sujeitos da ação educativa: os educandos e os educadores, ressaltando a importância do trabalho coletivo dos profissionais da Educação para a construção de parâmetros de sua ação profissional. Os educandos são situados como sujeitos de direito ao conhecimento e ao conhecimento dos mundos do trabalho. Há ênfase quanto à necessidade de se mapearem imagens e concepções dos alunos, para subsidiar o debate sobre os currículos. É proposta do texto que se desconstruam visões mercantilizadas de currículo, do conhecimento e dos sujeitos do processo educativo. O texto traz crítica ao aprendizado desenvolvido por competências e habilidades como balizadores da catalogação de alunos desejados e aponta o direito à educação, entendido como o direito à formação e ao desenvolvimento humano pleno.”

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Curso e escritos sobre educação

"Depois de um longo e tenebroso inverno", volto a atualizar o blog.

Primeiro quero avisá-los que até 3 de março estão abertas as inscrições para o curso gratuito Cidadania e direito à educação, promovido pela Ação Educativa (para mais informações acesse o link).

Também para informar que o GT de Educação do IPJ (Instituto Paulista de Juventude), do qual faço parte, está estudando os textos “Indagações sobre currículos”, disponíveis no site do Ministério da Educação. Coube a mim refletir e levantar questões sobre o texto “Educandos e educadores: Seus direitos e o currículo”, de Miguel Gonzáles Arroyo (àqueles que sabem que meu sobrenome é Arroyo Flores, adianto que não sei se tenho algum parentesco com ele... hehehe...). Vou utilizar o blog para expor minhas reflexões sobre o texto.

Por falar em leitura, recomendo o acesso diário ao site do jornal do Movimento Educacionista, que é atualizado quase que diariamente com informações e reflexões sobre educação. Também gostaria de lembrar a todos que o Portal Domínio Público disponibiliza gratuitamente diversos textos sobre variados assuntos. No link a seguir vocês acessam a relação de livros e outros escritos sobre educação.

domingo, 8 de novembro de 2009

Epílogos de nossos dias

Hoje fui ao Museu da Língua Portuguesa. É maravilhoso! Quem ainda não foi tem que ir. E com tempo para ver tudo (se conseguir). Fiquei, mais uma vez, maravilhado com Gregório de Matos. Resolvi postar aqui o poema dele que ouvi durante minha visita. Vejam se tem a ver com nossos dias.

Epílogos

Que falta nesta cidade?................Verdade
Que mais por sua desonra?...........Honra
Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
numa cidade, onde falta
Verdade, Honra, Vergonha.

Quem a pôs neste socrócio?..........Negócio
Quem causa tal perdição?.............Ambição
E o maior desta loucura?...............Usura.

Notável desventura
de um povo néscio, e sandeu,
que não sabe, que o perdeu
Negócio, Ambição, Usura.

Quais são os seus doces objetos?....Pretos
Tem outros bens mais maciços?.....Mestiços
Quais destes lhe são mais gratos?...Mulatos.

Dou ao demo os insensatos,
dou ao demo a gente asnal,
que estima por cabedal
Pretos, Mestiços, Mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?...Meirinhos
Quem faz as farinhas tardas?.........Guardas
Quem as tem nos aposentos?.........Sargentos.

Os círios lá vêm aos centos,
e a terra fica esfaimando,
porque os vão atravessando
Meirinhos, Guardas, Sargentos.

E que justiça a resguarda?.............Bastarda
É grátis distribuída?......................Vendida
Que tem, que a todos assusta?.......Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa,
o que El-Rei nos dá de graça,
que anda a justiça na praça
Bastarda, Vendida, Injusta.

Que vai pela clerezia?..................Simonia
E pelos membros da Igreja?..........Inveja
Cuidei, que mais se lhe punha?.....Unha.

Sazonada caramunha!
enfim que na Santa Sé
o que se pratica, é
Simonia, Inveja, Unha.

E nos frades há manqueiras?.........Freiras
Em que ocupam os serões?............Sermões
Não se ocupam em disputas?.........Putas.

Com palavras dissolutas
me concluís na verdade,
que as lidas todas de um Frade
são Freiras, Sermões, e Putas.

O açúcar já se acabou?..................Baixou
E o dinheiro se extinguiu?.............Subiu
Logo já convalesceu?.....................Morreu.

À Bahia aconteceu
o que a um doente acontece,
cai na cama, o mal lhe cresce,
Baixou, Subiu, e Morreu.

A Câmara não acode?...................Não pode
Pois não tem todo o poder?...........Não quer
É que o governo a convence?........Não vence.

Que haverá que tal pense,
que uma Câmara tão nobre
por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não quer, não vence.