A reportagem abaixo, publicada hoje (29/08) no jornal O Estado de S. Paulo, fala de um estudo baseado nos microdados da Prova Brasil. Aponta que os alunos de baixa renda recebem menos conteúdo, uma constatação antiga, mas é importante por quantificar essa constatação, por torná-la científica. Vale à pena ler.
Alunos de baixa renda recebem menos conteúdo
Dados de avaliação de escolas públicas mostram que só 1 em cada 6 unidades com estudantes mais pobres dão 80% da matéria prevista
29 de agosto de 2011
Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo
Apenas uma em cada seis escolas públicas do País que recebem alunos de classes sociais mais baixas consegue cumprir mais de 80% do conteúdo previsto para o ano letivo. Já entre as unidades escolares onde estudam as crianças de nível social mais elevado, essa taxa sobe para 45,2% - ou seja, metade das escolas que têm as matrículas de alunos com melhores condições socioeconômicas conseguem cumprir quase todo o currículo.
Os dados fazem parte de um tabelamento dos microdados da Prova Brasil 2007 feito pelo pesquisador Ernesto Martins Faria, do site Estudando Educação (estudandoeducacao.com). Os dados de 2009 ainda não foram divulgados e não há previsão de publicação.
Faria levou em conta os questionários socioeconômicos que compõem a avaliação (mais informações nesta página). Foram consideradas todas as 47.976 escolas que fizeram a prova. Delas, 11.994 têm alunos com condições socioeconômicas precárias matriculados.
A maior parte dessas escolas se situa nas Regiões Norte e Nordeste do País. Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins têm pelo menos uma escola pública com esse perfil.
Para Faria, a situação é preocupante porque os alunos que são atendidos nessas escolas são justamente os que chegam mais defasados. "São esses que mais necessitam de atenção porque, normalmente, vêm de famílias em que os pais têm escolaridade baixa", explica.
Para ele, o contexto se agrava porque essas escolas são aquelas que não apresentam uma infraestrutura de qualidade - geralmente, não têm grandes bibliotecas, prédios em condições adequadas e boas equipes pedagógicas. "O aluno precisa estudar numa escola onde ele sinta que há incentivo. Não é o que acontece numa escola que não dá todo o conteúdo programado."
Problemas. O não cumprimento do currículo escolar nesses colégios pode ter origem em diversas fontes, segundo os especialistas. As faltas dos alunos são apontadas como um dos fatores e podem ocorrer por diversos motivos, como a dificuldade de acesso ao colégio - em municípios do interior do País, por exemplo - e as condições ruins de infraestrutura da escola - que não são suficientes para garantir as aulas.
"É claro que entre o que está programado e o que é cumprido existe sempre uma diferença", afirma Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). "Mas existem escolas onde faltam luz e cadeiras."
O absenteísmo dos docentes também aparece entre as possíveis causas. "As escolas situadas nas regiões mais pobres têm mais dificuldades para atrair e manter professores", afirma Alavarse. "Tudo isso pesa no conteúdo a ser desenvolvido."
Antonio Batista, coordenador de desenvolvimento de pesquisas do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), chama a atenção para o fato de que o Brasil não tem um currículo único - ou seja, cada cidade e Estado tem suas próprias programações de conteúdos.
"Em tese, o não cumprimento do currículo significa menos conteúdo e um cerceamento do direito da criança a uma aprendizagem de qualidade", afirma. "Apesar disso, em certos casos, cumprir todo o currículo não implica necessariamente que a criança aprenda tudo, porque, para alcançar a abordagem completa de currículos muito extensos, o ensino pode se tornar muito superficial ou sobrecarregar a criança de informações."
Para os pesquisadores, procurar soluções para resolver o quadro passa por meios que fixem o professor nessas escolas. "Em vez de dar bônus, o melhor seria investir na melhoria da infraestrutura e dar adicionais a esses docentes dentro de uma política de carreira", afirma Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.
PARA ENTENDER
São 4 faixas de renda
A pesquisa dividiu as escolas que participaram da Prova Brasil em quatro faixas de renda, de acordo com a quantidade de bens que os alunos declararam possuir - como TV, rádio, carro e geladeira, por exemplo. Entraram também nessa conta o serviço de empregada mensalista e a quantidade de banheiros de cada casa.
A somatória de todos os itens deu uma pontuação a cada aluno, que foram divididos em quartis de acordo com a classe socioeconômica.
A Prova Brasil avalia, de dois em dois anos, os alunos de 5.° e 9.° anos do ensino fundamental da rede pública. Além das questões de matemática e língua portuguesa, os estudantes respondem a questionários socioeconômicos que podem ser associados ao desempenho deles na avaliação. Professores e diretores também respondem a questionários.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Vou convidar algumas pessoas para compartilhar seus textos sobre educação. Para não ficar tão personalista, migrei o blog para outro endereço eletrônico. Para ler os textos acesse http://prioridadeeducacao.blogspot.com/
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Baixa renda recebe menos conteúdo
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quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Mais sobre as "bolsas"
O jornal O Estado de S. Paulo publicou ontem (10/8/2011) um artigo muito bom sobre a questão das “bolsas” para pagamento de mensalidades em instituições privadas. Mais do que isso, o texto faz um apelo para que o Pronatec não repita o que os autores acreditam ser erros do ProUni e do Fies. O texto contribui tanto com a reflexão que decidi postá-lo aqui na íntegra.
Depois de tantos textos sobre esse tema, minha próxima postagem conterá minhas ponderações.
Ensino técnico, longe dos erros do passado
10 de agosto de 2011 | 0h 00
Otaviano Helene e Lighia Horodynski-Matsushigue* - O Estado de S.Paulo
Está em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei (o PL 1.209/ 2011) criando o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que pretende organizar e ampliar a oferta de cursos técnicos. Ao propor tal programa, o Executivo federal reconhece as deficiências na formação de quadros técnicos, tanto para o setor produtivo como em profissões associadas ao bem estar das pessoas, em particular nas áreas de saúde, educação e meio ambiente.
Entretanto, apesar de serem necessários incentivos a uma adequada formação de técnicos, tanto no aspecto do número insuficiente desses profissionais quanto na qualidade de sua educação, dependendo da forma que o programa vier a ter, pouco ou nada contribuirá para as suas finalidades, em especial se repetir os passos do ProUni e do Fies. Para prevenir que esse novo programa incorra em erros passados deveríamos evitar alguns aspectos do ProUni e do Fies, que financiam matrículas em instituições privadas.
Uma das características da educação superior brasileira é a sua privatização: estamos entre os três ou quatro países com a menor participação do setor público. Essa privatização faz o Brasil apresentar uma distribuição de estudantes pelas várias áreas do conhecimento bastante diferente da dos demais países. A nossa porcentagem de estudantes em cursos básicos de ciências, engenharias ou agropecuária, por exemplo, é significativamente menor do que nos demais países, enquanto a porcentagem de estudantes nas áreas de negócios e administração é significativamente maior. Essa distorção é provocada basicamente pelas instituições privadas, uma vez que a distribuição de estudantes nas instituições públicas obedece à regra mundial. Assim, subsídios ao setor privado acirram essa distorção.
Outra característica do ensino superior brasileiro diz respeito à qualidade dos cursos em instituições privadas. Como decorrência do fato de estas se preocuparem, necessariamente, com os seus balanços financeiros, muitas vezes em detrimento da qualidade dos seus cursos e das necessidades do País, quer sob o aspecto regional, quer em relação às diferentes áreas de conhecimento, subsídios ao setor privado acabam por incentivar maus cursos e más instituições.
O retorno social de grande parte dos cursos oferecidos pelas instituições privadas é muito baixo, tanto para a sociedade em geral quanto para os próprios estudantes, no que diz respeito às chances de trabalho nas áreas em que se graduaram, às possibilidades de acompanharem as mudanças tecnológicas e sociais e à remuneração que receberão. O ensino na maioria das instituições privadas pode ser classificado muito mais como uma revisão de algumas ferramentas - de matemática, interpretação de textos e de leis científicas - que deveriam ter sido fornecidas ao longo da educação básica, aliada a um treinamento em alguma área momentaneamente em voga e de baixo custo. Não é à toa que são abertas vagas ao sabor de modismos e fechadas tão logo esses modismos ou o "mercado de trabalho" (ou uma ilusão dele) se esgotem. Os exemplos mais recentes talvez sejam os cursos de Fisioterapia e de Educação Física. Assim, incentivos a uma expansão adicional das matrículas em instituições privadas são um desserviço à Nação.
Considerando a qualidade dos cursos, o próprio Tribunal de Contas da União (Relatório de Auditoria Operacional - Programa Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), 2009) alertou para o fato de que, com o ProUni, "corre-se o risco de formar uma massa de profissionais com escassa qualificação para o mercado de trabalho". Além disso, "tem-se "pago" - indiretamente - um preço maior pelas vagas nas instituições privadas de ensino superior do que o montante que elas efetivamente valem".
Nesse contexto, antes de repetirem no ensino técnico os mesmos passos do ProUni e do Fies, seria necessário avaliar muito cuidadosamente os resultados desses programas. Além dos aspectos já salientados - que se devem repetir no ensino técnico -, há que atentar para taxas de evasão mais altas e considerar os custos econômicos para os governos e para as pessoas. Vale lembrar que os investimentos necessários para manter um estudante de graduação numa instituição pública são equivalentes aos custos do setor privado (veja-se, por exemplo, Jornal da USP, 18/11/2010, página 2, acessível pela internet). Em cursos de igual qualidade, os investimentos públicos podem ser significativamente inferiores aos de instituições privadas.
É necessário lembrar, ainda, que o ProUni coloca bons estudantes - afinal, são estudantes economicamente desfavorecidos e que, apesar disso, apresentam bom desempenho - em maus cursos. Em instituições públicas esses mesmos estudantes estariam frequentando cursos de melhor qualidade e em áreas de conhecimento mais adequadas para o País, seriam mais bem atendidos, encontrariam moradia, assistência médica e alimentação subsidiadas, poderiam envolver-se em bons programas de iniciação científica, teriam professores acessíveis, boas bibliotecas e amplas possibilidades de pós-graduação.
Melhor teria sido, em vez de criar um novo programa de subsídio ao setor privado, rever os resultados do ProUni e do Fies. O Pronatec deveria restringir-se a incentivar os setores públicos do ensino técnico, os quais deveriam trabalhar em rede para uma cobertura adequada do território nacional e considerando as necessidades das diferentes atividades profissionais e regiões do País.
* Professor no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), foi presidente do Inep e da Adusp / Professora aposentada do Instituto de Física da USP, foi vice-presidente da Regional São Paulo do Andes-SN
Fonte: OEstado de S. Paulo
Depois de tantos textos sobre esse tema, minha próxima postagem conterá minhas ponderações.
Ensino técnico, longe dos erros do passado
10 de agosto de 2011 | 0h 00
Otaviano Helene e Lighia Horodynski-Matsushigue* - O Estado de S.Paulo
Está em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei (o PL 1.209/ 2011) criando o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que pretende organizar e ampliar a oferta de cursos técnicos. Ao propor tal programa, o Executivo federal reconhece as deficiências na formação de quadros técnicos, tanto para o setor produtivo como em profissões associadas ao bem estar das pessoas, em particular nas áreas de saúde, educação e meio ambiente.
Entretanto, apesar de serem necessários incentivos a uma adequada formação de técnicos, tanto no aspecto do número insuficiente desses profissionais quanto na qualidade de sua educação, dependendo da forma que o programa vier a ter, pouco ou nada contribuirá para as suas finalidades, em especial se repetir os passos do ProUni e do Fies. Para prevenir que esse novo programa incorra em erros passados deveríamos evitar alguns aspectos do ProUni e do Fies, que financiam matrículas em instituições privadas.
Uma das características da educação superior brasileira é a sua privatização: estamos entre os três ou quatro países com a menor participação do setor público. Essa privatização faz o Brasil apresentar uma distribuição de estudantes pelas várias áreas do conhecimento bastante diferente da dos demais países. A nossa porcentagem de estudantes em cursos básicos de ciências, engenharias ou agropecuária, por exemplo, é significativamente menor do que nos demais países, enquanto a porcentagem de estudantes nas áreas de negócios e administração é significativamente maior. Essa distorção é provocada basicamente pelas instituições privadas, uma vez que a distribuição de estudantes nas instituições públicas obedece à regra mundial. Assim, subsídios ao setor privado acirram essa distorção.
Outra característica do ensino superior brasileiro diz respeito à qualidade dos cursos em instituições privadas. Como decorrência do fato de estas se preocuparem, necessariamente, com os seus balanços financeiros, muitas vezes em detrimento da qualidade dos seus cursos e das necessidades do País, quer sob o aspecto regional, quer em relação às diferentes áreas de conhecimento, subsídios ao setor privado acabam por incentivar maus cursos e más instituições.
O retorno social de grande parte dos cursos oferecidos pelas instituições privadas é muito baixo, tanto para a sociedade em geral quanto para os próprios estudantes, no que diz respeito às chances de trabalho nas áreas em que se graduaram, às possibilidades de acompanharem as mudanças tecnológicas e sociais e à remuneração que receberão. O ensino na maioria das instituições privadas pode ser classificado muito mais como uma revisão de algumas ferramentas - de matemática, interpretação de textos e de leis científicas - que deveriam ter sido fornecidas ao longo da educação básica, aliada a um treinamento em alguma área momentaneamente em voga e de baixo custo. Não é à toa que são abertas vagas ao sabor de modismos e fechadas tão logo esses modismos ou o "mercado de trabalho" (ou uma ilusão dele) se esgotem. Os exemplos mais recentes talvez sejam os cursos de Fisioterapia e de Educação Física. Assim, incentivos a uma expansão adicional das matrículas em instituições privadas são um desserviço à Nação.
Considerando a qualidade dos cursos, o próprio Tribunal de Contas da União (Relatório de Auditoria Operacional - Programa Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), 2009) alertou para o fato de que, com o ProUni, "corre-se o risco de formar uma massa de profissionais com escassa qualificação para o mercado de trabalho". Além disso, "tem-se "pago" - indiretamente - um preço maior pelas vagas nas instituições privadas de ensino superior do que o montante que elas efetivamente valem".
Nesse contexto, antes de repetirem no ensino técnico os mesmos passos do ProUni e do Fies, seria necessário avaliar muito cuidadosamente os resultados desses programas. Além dos aspectos já salientados - que se devem repetir no ensino técnico -, há que atentar para taxas de evasão mais altas e considerar os custos econômicos para os governos e para as pessoas. Vale lembrar que os investimentos necessários para manter um estudante de graduação numa instituição pública são equivalentes aos custos do setor privado (veja-se, por exemplo, Jornal da USP, 18/11/2010, página 2, acessível pela internet). Em cursos de igual qualidade, os investimentos públicos podem ser significativamente inferiores aos de instituições privadas.
É necessário lembrar, ainda, que o ProUni coloca bons estudantes - afinal, são estudantes economicamente desfavorecidos e que, apesar disso, apresentam bom desempenho - em maus cursos. Em instituições públicas esses mesmos estudantes estariam frequentando cursos de melhor qualidade e em áreas de conhecimento mais adequadas para o País, seriam mais bem atendidos, encontrariam moradia, assistência médica e alimentação subsidiadas, poderiam envolver-se em bons programas de iniciação científica, teriam professores acessíveis, boas bibliotecas e amplas possibilidades de pós-graduação.
Melhor teria sido, em vez de criar um novo programa de subsídio ao setor privado, rever os resultados do ProUni e do Fies. O Pronatec deveria restringir-se a incentivar os setores públicos do ensino técnico, os quais deveriam trabalhar em rede para uma cobertura adequada do território nacional e considerando as necessidades das diferentes atividades profissionais e regiões do País.
* Professor no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), foi presidente do Inep e da Adusp / Professora aposentada do Instituto de Física da USP, foi vice-presidente da Regional São Paulo do Andes-SN
Fonte: OEstado de S. Paulo
UNEafro reivindica material público de preparação para o ENEM
A UNEafro-Brasil enviou ao MEC uma carta reivindicando a elaboração de um material didático preparatório ao ENEM, com disponibilização do conteúdo para livre reprodução pelos cursinhos comunitários e populares do país, assim como material para aplicação de simulados do exame. A entidade pede ainda que o material seja disponibilizado para todos os estudantes do 3º ano do ensino médio e aos cursinhos populares de todo o país.A intenção é promover debates sobre a importância do material, com o intuito de ampliar o conhecimento do assunto e o apoio social para pressionar o MEC a atender a demanda.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Entrelinhas de uma “reportagem”
O jornal Folha de S. Paulo de 8/8/2011 trouxe dois textos relacionados à educação que merecem ser lidos. Um deles é o texto Bolsa X Aprendizagem, sobre um estudo da FGV que relaciona o recebimento de recursos do Bolsa Família com o aprendizado de jovens que fazem parte de famílias beneficiadas pelo programa na cidade de São Paulo.
Apesar de o jornal enfocar um suposto dado ruim levantado pela pesquisa (os jovens de famílias beneficiadas têm desempenho igual ou inferior ao de outros de mesmo perfil sócio-econômico), quem lê o texto com cuidado pode entender nas entrelinhas o que o jornal não mostrou (ou escondeu, como preferirem). Para quem não conseguir entender, segue abaixo algumas observações de um colega de profissão dos autores do texto da Folha.
Apesar de o jornal enfocar um suposto dado ruim levantado pela pesquisa (os jovens de famílias beneficiadas têm desempenho igual ou inferior ao de outros de mesmo perfil sócio-econômico), quem lê o texto com cuidado pode entender nas entrelinhas o que o jornal não mostrou (ou escondeu, como preferirem). Para quem não conseguir entender, segue abaixo algumas observações de um colega de profissão dos autores do texto da Folha.
- Segundo o texto, é feita uma comparação entre o aprendizado entre jovens. Mas, em nenhum momento se observa se o desempenho dos jovens beneficiados, individualmente, melhorou depois que sua família passou a receber o benefício. Quem entende um só um pouquinho de Pedagogia e não quer apenas fazer um levantamento estatístico saberia que a avaliação deveria levar em conta o desenvolvimento cognitivo do aluno. A comparação com outros alunos deveria servir apenas para saber qual o nível médio de desenvolvimento na mesma série/ano, faixa etária do grupo social ao qual o jovem pertence;
- Outro ponto bastante importante, mas ao qual a reportagem/edição não deu tanta importância é com relação ao fato de que o Bolsa Família reduz a evasão escolar. Mesmo que o Bolsa Família não melhore a qualidade da educação, ele contribui para segurar o jovem na escola, o que já é uma grande coisa, como se pode notar no texto O paradoxo do ensino médio, publicado no mesmo dia e no mesmo jornal (leia comentários sobre esse texto);
- A terceira parte do texto vai para o lugar comum: “É preciso melhorar a qualidade da educação”. Isso não é novidade, todo mundo concorda com isso. Não é preciso realizar novas pesquisas para mostrar isso. Além do mais, os dados levantados pela pesquisa são questionáveis (leia texto Os efeitos do Bolsa Família na educação).
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O paradoxo do ensino médio
O jornal Folha de S. Paulo publicou hoje o texto com o título desta postagem: O paradoxo do ensino médio.
O autor, Fernando Veloso, foi muito feliz em suas colocações. Ele explica que, apesar da baixa qualidade, o ensino médio pode representar ganhos significativos para os jovens que o concluem. Se não em conhecimento e desenvolvimento cognitivo, pelo menos na possibilidade de verem a média salarial aumentar em mais de 30% em relação ao salário daqueles que cursaram apenas o ensino fundamental. Mas, segundo o autor, o paradoxo é que, mesmo com esse retorno monetário, ainda são baixas as taxas de matrícula e de conclusão no ensino médio.
Veloso aponta duas possibilidades pelo desinteresse dos jovens pelo ensino médio: 1. O aumento percentual de salário para o grupo específico de jovens que preferem não completar o ensino médio não seria tão grande quanto a média percentual de retorno monetário apresentada; 2. Os jovens desconhecem a informação do possível aumento percentual de salário para os concluintes do ensino médio.
Vale ressaltar que o texto se vale de reportagens publicadas no mesmo jornal (Folha de S. Paulo) que afirmam que 40% dos jovens evadem o ensino médio não por ter que trabalhar para ajudar a família, como muitos pensavam, mas por falta de interesse.
Eu aponto um terceiro possível motivo. O ensino médio está tão ruim e tão desvinculado da vida dos jovens que, mesmo sabendo do retorno financeiro, os jovens não conseguem permanecer na escola e evadem. Desacreditam que tamanha falta de nexo possa levar as empresas, mesmo conhecedoras da baixa qualidade da educação, concordarem em conceder aumentos salariais apenas por um papel chamado diploma. Pensando dessa forma, digo: Realmente o diploma não deveria valer tanto. O que deveria ter valor é a boa educação, o bom conteúdo, a boa aula... não uma folha de papel.
Aliás, para não dizer que estou comparando fontes diferentes, o mesmo jornal (Folha de S. Paulo), publicou no dia 20 de março de 2011, a reportagem Escolarizado é maioria entre desocupados na qual informa que faltam vagas para jovens que concluíram o ensino médio e sobram para aqueles que têm somente o fundamental, justamente porque as vagas disponíveis são para cargos com menores salários. Caramba! Que paradoxo! Se eu concluo o ensino médio não tenho vaga de trabalho, se não concluo ganho um salário-de-fome... Vladimir Lênin diria: Que fazer?* Mas, o jornal aponta que Mudança exige que trabalhador de nível médio ajuste expectativa, que País precisa aumentar formação técnica e que Falta de experiência afeta pessoas de baixa renda.
"O pulso ainda pulsa" e o paradoxo permance.
*Livro no qual Lênin aponta caminhos e ações a serem seguidos para se efetivar e se manter a revolução operária, para dar uma explicação básica.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Plano plurianual de SP reforça ensino básico
Ainda não tive como analisar e o próprio governo de São Paulo, em nota, diz que a versão divulgada é preliminar e as conclusões podem ser precipitadas. Mas, parece que, finalmente, os tucanos vão fazer alguma coisa boa para a educação. Leiam abaixo e tirem suas conclusões.
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Metas para o período 2012-2015 incluem ampliação do ensino médio técnico, reforma de sistema de avaliação e apoio a escolas vulneráveis
Nos próximos quatro anos, o governo estadual pretende reforçar o currículo da educação básica, ampliar o ensino médio técnico, fazer um projeto para 1.208 escolas de maior vulnerabilidade educacional e repensar o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp). Também há iniciativas para melhorar políticas de educação especial e de jovens e adultos.
As informações constam no Plano Plurianual 2012-2015, ao qual a reportagem do Estado teve acesso. O documento reúne investimentos e metas que cada órgão do governo deve fazer até o mandato seguinte. O projeto, que pode sofrer alterações, será enviado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) a Assembleia Legislativa neste mês.
As metas da Secretaria Estadual de Educação para o período se dividem em cinco eixos: valorização dos profissionais da educação; gestão do currículo; gestão administrativa; infraestrutura e políticas publicas.
Para reforçar o currículo, a pasta pretende, por exemplo, manter programas como o Ler e Escrever. Tambem deve ocorrer a articulação das dimensões trabalho, ciência, cultura e tecnologia no currículo do ensino médio, prevista por uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE). Há o objetivo também de promover concursos públicos periódicos, em que os docentes aprovados teriam cursos de iniciação ao currículo.
Ainda nessa frente, o governo busca estruturar o tempo integral e quer a integração e o apoio das universidades para diversas ações, como a formação dos professores e a intervenção nas escolas com os piores índices de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp).
Em relação ao Saresp, o PPA prevê a criação de um banco de itens calibrados; a revisão das matrizes de referencia de todas as disciplinas e propõe que a pasta pense em aumentar a periodicidade da prova, que é anual.
Algumas metas do novo PPA já foram anunciadas pelo titular da pasta, Herman Voorwald, nos primeiros meses de governo, como a revisão da política salarial e o plano de carreira do magistério; reforma estrutural da pasta; revisão da valorização pelo mérito; reorganização da progressão continuada e ampliação do ensino médio técnico.
Em nota, o governo afirma que o PPA 2012-2015 esta “em elaboração” e que “a divulgação de qualquer versão preliminar obtida em sistemas internos da administração é precipitada, certamente incompleta e pode levar a conclusões equivocadas”. /
ATÉ 2015
● Idesp
O governo que elevar o Idesp do ciclo 1 do ensino fundamental para 4,39; do ciclo 2, para 2,83; e do médio, para 2
● Escolas vulneráveis
Valorizar o quadro pedagógico e recuperar a infraestrutura das 1.208 escolas – as “escolas prioritárias” – de maior vulnerabilidade educacional
● Tecnologia
Padronizar 100% das escolas ao modelo tecnológico da secretaria
● Rede física
Reduzir de 6% para 2% o déficit de salas de aula
Fonte:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110802/not_imp752985,0.php
http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2011/08/02/A16.pdf
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
Uma PRECIOSA história de esperança
O filme Preciosa - Uma história de esperança aborda assuntos como: violência doméstica, preconceito, gravidez na adolescência e educação.Numa trama dramática, a história de uma jovem negra do Halem nos instiga a refletir sobre o papel da família na construção da auto-imagem da pessoa e a importância dos profissionais de educação estimularem seus alunos a sonhar e a ir além do que pensam ser capazes de realizar.
Expulsa de um colégio regular, Preciosa é encaminhada para um curso supletivo. Mas, o que parecia ser um castigo na verdade foi um “divisor de águas” na vida da jovem, que com a ajuda da professora descobre seu talento para escrever, sua facilidade em matemática e principalmente, que é possível redigir uma história diferente daquela que sua família violenta insistia em lhe destinar.
Título original: (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire)
Lançamento: 2009 (EUA)
Direção: Lee Daniels
Atores: Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Rodney Jackson, Paula Patton.
Duração: 110 min
Gênero: Drama
Lançamento: 2009 (EUA)
Direção: Lee Daniels
Atores: Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Rodney Jackson, Paula Patton.
Duração: 110 min
Gênero: Drama
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Flexibilizado currículo do ensino médio
Não tive tempo de escrever um texto opinando sobre a flexibilização do currículo do ensino médio, mas acho importante que todos criem suas opiniões sobre isso e estimulem o debate. Por isso, mesmo sem dar minha opinião, reproduzo reportagem veiculada na Folha de S.Paulo de hoje (5/5/2011).
Fonte: Folha de S.Paulo
Fonte: Folha de S.Paulo
Conselho torna currículo do ensino médio mais flexível
De acordo com seu perfil, escolas poderão enfatizar algumas disciplinas
No ensino noturno, 20% das aulas poderão ser ministradas a distância e curso poderá ter mais que os atuais três anos
ANGELA PINHO
DE BRASÍLIAO CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou ontem novas diretrizes para o ensino médio que incentivam as escolas a elaborar currículos mais flexíveis e adaptados ao contexto dos estudantes.
A ideia é que cada colégio organize o ensino em torno de quatro grandes áreas: trabalho, tecnologia, ciência e cultura. A partir delas, o currículo poderia enfatizar algumas disciplinas.
Uma escola que fica em uma localidade industrial, por exemplo, poderia enfatizar tecnologia e trabalho e, dessa forma, dar mais espaço a física e química na grade.
Não se pode, porém, deixar as outras disciplinas de lado. Ou seja: todas as escolas continuam tendo a obrigação de ensinar matemática, português, ciências, filosofia e sociologia. A diferença é que, com as novas diretrizes, elas ganham um incentivo para dosar a grade horária como preferirem.
A autonomia das escolas em relação à organização da carga horária já é permitida hoje pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996. O CNE espera que as diretrizes sejam mais um incentivo.
As diretrizes também mudam o ensino médio noturno, onde estudam cerca de 40% dos alunos. Elas permitem que até 20% das aulas sejam a distância e que o curso dure mais do que os atuais três anos.
O documento aprovado ontem no conselho ainda tem que ser homologado pelo ministro Fernando Haddad (Educação). Segundo José Fernandes de Lima, relator do tema no CNE, há grandes chances de isso acontecer, porque o texto foi construído com consultas ao Ministério da Educação. Já a pasta diz que o ministro ainda vai analisar o documento.
O próprio MEC tem um programa que incentiva financeiramente 357 colégios com propostas curriculares inovadoras e que trabalha com as quatro grandes áreas.
Carlos Roberto Jamil Cury, professor da PUC-MG e ex-presidente do CNE, elogia a decisão do conselho, mas ressalva que ela só explicita uma possibilidade que já estava prevista na legislação.
O que aconteceu, diz ele, é que os vestibulares e, mais recentemente, o Enem acabaram pautando mais o ensino médio do que as diretrizes. Ou seja, pouco vai adiantar mudar o currículo se os processos seletivos não forem modificados.
Em relação ao ensino noturno, Cury afirma que a novidade tem o mérito de incluir o aluno no mundo das novas tecnologias, mas, por outro lado, manifestou o receio de que isso seja feito sem o suporte necessário, tanto de equipamentos como de professores, o que prejudicaria a qualidade do ensino.
Para Carlos Eduardo Ferraço, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, é interessante valorizar o contexto do aluno no projeto pedagógico da escola, mas isso não deve restringir o que o aluno aprende.
Fonte: Folha de S.Paulo
ENTREVISTA
Governos terão de acompanhar, diz pesquisador
DE SÃO PAULO
As alterações são positivas, mas o sucesso dependerá do acompanhamento que as escolas receberão dos governos, diz o pesquisador Antonio Chizzotti, professor e ex-coordenador da pós-graduação em currículo da PUC-SP.
Folha - As mudanças aprovadas são positivas?
Antonio Chizzotti - Sim. É importante que as escolas tenham mais liberdade, estejam atentas às demandas locais. Um currículo muito engessado afasta os alunos.Há algum risco?
O problema é a nova organização cair na improvisação. As escolas, principalmente as de municípios menores, precisarão do apoio consistente da União, de Estados e municípios.Fonte: Folha de S.Paulo
quinta-feira, 28 de abril de 2011
É sério, ou estou ouvindo coisas?
Ao abrir o jornal hoje, li uma chamada que me deixou impressionado: “Professor terá 1/3 da jornada fora de sala”. Trata-se de uma decisão do STF que, finalmente, obriga que se considere o tempo utilizado por professores da educação básica (ensino infantil, fundamental e médio) para o planejamento de aulas e aperfeiçoamento profissional como horas trabalhadas.
Como já relatado neste blog, no início do mês, o Supremo já havia confirmado a validade da lei que fixou o Piso Nacional para os professores.
Como naquela ocasião, recomendo cautela na comemoração. Apesar da decisão, o Judiciário poderá analisar novamente as regras que fixaram a divisão da jornada de trabalho dos professores. Isso porque não foi formada uma maioria na votação. Dessa forma, o resultado do julgamento não teve um efeito vinculante e o assunto poderá ser debatido de novo no futuro durante o julgamento de ações movidas por outros Estados ou municípios.
Vale à pena ler texto sobre esse mesmo assunto postado no blog do Luiz Araújo.
Como já relatado neste blog, no início do mês, o Supremo já havia confirmado a validade da lei que fixou o Piso Nacional para os professores.
Como naquela ocasião, recomendo cautela na comemoração. Apesar da decisão, o Judiciário poderá analisar novamente as regras que fixaram a divisão da jornada de trabalho dos professores. Isso porque não foi formada uma maioria na votação. Dessa forma, o resultado do julgamento não teve um efeito vinculante e o assunto poderá ser debatido de novo no futuro durante o julgamento de ações movidas por outros Estados ou municípios.
Vale à pena ler texto sobre esse mesmo assunto postado no blog do Luiz Araújo.
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
Mudanças no currículo do ensino médio: Pior do que está pode ficar
Além da aprovação da Lei do Piso Nacional dos Professores e do anúncio do lançamento do material didático para corrigir falhas no ensino da histórica da África e, consequentemente, de nossa própria história, também me chamou a atenção outras duas notícias veiculadas entre ontem e hoje.
A primeira, veiculada pelo Estadão é com relação ao adiamento pelo CNE da votação sobre as mudanças no currículo do ensino médio. Na verdade, são três textos sobre esse assunto (texto 1; texto 2; texto 3).
O segundo texto, veiculado no Uol Educação, também diz respeito à educação de jovens. Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2008, informa que
A primeira, veiculada pelo Estadão é com relação ao adiamento pelo CNE da votação sobre as mudanças no currículo do ensino médio. Na verdade, são três textos sobre esse assunto (texto 1; texto 2; texto 3).
O segundo texto, veiculado no Uol Educação, também diz respeito à educação de jovens. Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2008, informa que
sábado, 2 de abril de 2011
As melhores coisas do mundo
O filme está disponível no Youtube, dividido em oito partes. Segue link da primeira parte.
Vejam e depois me contem... Ou me convidem pra um debate, qualquer hora dessas!
quarta-feira, 23 de março de 2011
Especial atenção às crianças e adolescentes
Newton Lima *
No Brasil, comemoramos o Dia da Criança em 12 de outubro; por essa razão, pouca gente dá importância ao Dia Mundial da Infância, que ocorre no dia 21 de março. A data foi estabelecida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef – sigla em Inglês).
A infância é a fase da vida do ser humano na qual ele está mais aberto ao conhecimento e, ao mesmo tempo, mais vulnerável a distorções do crescimento. É preciso, portanto, ter um cuidado especial com a primeira infância – de zero a seis anos. Precisamos colocar à disposição dessas crianças tudo o que for necessário para dar a elas base de sustentação, fornecendo-lhes condições para se tornarem jovens e adultos com intelecto plenamente desenvolvido.
Dados do recente relatório da Unicef sobre a Situação Mundial da Infância, divulgado no final de fevereiro, mostram avanços obtidos com relação à proteção à primeira infância. Nos últimos 20 anos reduziu-se 33% a Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) entre crianças com menos de cinco anos de idade. Praticamente eliminou-se a diferença de gênero nas matrículas primárias. No Brasil, 26 mil vidas de crianças com menos de cinco anos foram poupadas nas duas últimas décadas.
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Educação acaba em Pisa
Além da feijoada, o “cardápio” desta quarta-feira (8/12) tinha muito Pisa. Veja bem, não é pizza, é Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Consequência da divulgação do resultado da avaliação realizada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) a cada três anos, com a finalidade de medir a qualidade da educação nos países desenvolvidos e em outros convidados a participarem da avaliação, como o Brasil.
A maioria (se não todos) dos veículos da chamada “grande imprensa” estampou em suas capas chamadas para reportagens sobre o desempenho do Brasil no Pisa.
Alguns textos exaltavam a melhora do Brasil na pontuação obtida no exame realizado em 2009, na comparação com o anterior, realizado em 2006. Expunham informação creditada ao MEC de que o país é o terceiro em melhora de desempenho desde o início da pesquisa, em 2000.
Houve também aqueles que menosprezaram a suposta melhora no desempenho dos estudantes brasileiros. Preferiram se apegar ao fato de que, mesmo com a melhora de desempenho, o país ainda é um dos últimos na avaliação (53º colocado entre 65 países avaliados). Esses também ressaltaram que os estudantes brasileiros estão bem abaixo da média. Mais da metade não consegue decifrar informações implícitas em um texto curto.
“Estudantes, esses burros!”. Isso é o que pode transparecer as reportagens. Mas, elas também deixam claro que o Governo (Federal é claro) é o culpado pela mazela educacional brasileira, apesar de as escolas públicas federais terem tido desempenho superior até mesmo ao das escolas particulares e serem as escolas públicas estaduais e municipais as que puxam para baixo a classificação brasileira.
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Vale à pena ler
Vale à pena ler o texto “Progressão continuada não é aprovação automática”, do Fernando José de Almeida. É sucinto, mas traz elementos importantes para conseguirmos diferenciarmos a boa progressão continuada da detestável aprovação automática, implantada pelo governo tucano no estado de São Paulo, por exemplo.
Progressão continuada não é aprovação automática
É difícil defender uma ideia quando ela é desconhecida ou mal entendida pelos interlocutores. Sempre que falo em progressão continuada, em vez de sair apoiando essa maneira de organizar o tempo escolar, me vejo na obrigação de, antes de tudo, deixar bem claro sobre o que vou tratar. Há muita confusão, pois esse conceito é imediatamente confundido com "aprovação contínua" ou "aprovação automática", como indica a reportagem Organização em Ciclos Respeita a Diferença, que a revista Nova Escola Gestão Escolar traz na sua edição de dezembro/janeiro. Então vamos aos esclarecimentos.
Aprovação automática quer dizer sem avaliação, sem orientação, sem cobrança, sem algum apoio. Sendo assim, sem nenhum critério, o aluno é empurrado adiante, correndo ele os riscos de não estar preparado para nada e podendo, mais tarde, atribuir à escola - com razão - o abandono a que foi submetido, sem ter nenhum tipo de orientação.
Progressão continuada, ao contrário, é um alargamento do conceito de período escolar, pois prevê, em vez de anos, ciclos. E aí é possível falar em ciclo letivo, com mais do que os 200 dias previsto na lei, e também em ciclo de aprendizagem do aluno - e esse pode ser de dois ou três meses, um semestre, um ou mais anos. Dividir o tempo escolar fugindo do calendário anual tem por objetivo aprofundar a concepção sobre o ensino e a aprendizagem. Sabe-se, comprovadamente, que as crianças têm diferentes habilidades e, por isso, diversas maneiras e ritmos para aprender. Mas todos podem chegar lá. E chegam. Às vezes, alguns meses ou um semestre a mais são suficientes para constatar mudanças no aluno. Em um curto período
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Faltam cinco anos para Brasil cumprir meta de escolaridade estabelecida pela Constituição
Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que, se mantido o ritmo dos últimos 17 anos, somente em 2015 o país cumprirá a escolaridade de oito anos, conforme é exigido pela Constituição.Em 1992, a média de anos de estudos para a população de 15 anos ou mais era 5,2 anos. Em 2009, foi de 7,5 anos. Foram necessários 17 anos para ampliar em 2,3 anos a média de anos de estudo da população. "Considerando-se essa taxa anual de crescimento, faltam, ainda, cerca de cinco anos para se atingir, em média, a escolaridade originalmente prevista na Constituição Federal (ensino fundamental ou 8 anos de estudo)", diz o Comunicado nº 66 do Ipea.
Segundo o Ipea, a baixa escolarização e o elevado número de analfabetos entre adultos e idosos prejudica o desempenho e um dos mais graves problemas é o analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais.
Ao compararmos a taxa brasileira de analfabetismo com outros países
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Reflexões sobre o Enem
O vazamento de informações da prova do Enem, pelo segundo ano consecutivo gerou uma enorme confusão que prejudica, principalmente, os alunos.
O governo defende o exame e cogita até a realizá-lo duas vezes por ano. A oposição aproveita-se da situação para criticar a atuação do governo. Mas, até então, nada havia sido falado sobre o Enem em si. Para que mesmo serve o Enem?
Hoje foi postado no site do deputado federal Ivan Valente (Psol), um discurso proferido pelo deputado no plenário da Câmara dos Deputados no qual ele traz diversos pontos que merecem nossa atenção. Vale à pena ler na íntegra.
O governo defende o exame e cogita até a realizá-lo duas vezes por ano. A oposição aproveita-se da situação para criticar a atuação do governo. Mas, até então, nada havia sido falado sobre o Enem em si. Para que mesmo serve o Enem?
Hoje foi postado no site do deputado federal Ivan Valente (Psol), um discurso proferido pelo deputado no plenário da Câmara dos Deputados no qual ele traz diversos pontos que merecem nossa atenção. Vale à pena ler na íntegra.
Ipea analisa dados da PNAD sobre educação
Comunicado n° 66 analisa avanços e desafios da educação com base nos dados de 2009 do IBGE
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulga nesta quinta-feira (18/11) o Comunicado do Ipea n° 66: PNAD 2009 – Primeiras Análises: Situação da educação brasileira - avanços e problemas.
O texto analisa a evolução da educação no período de 1992 a 2009 e traça um quadro atual da escolarização da população brasileira, tendo como base indicadores da área.
O comunicado apresenta ainda o hiato educacional, que mede a quantidade de anos de estudo necessária para que a meta da educação seja atingida. Também há dados e informações sobre analfabetismo.
A análise busca refletir os avanços e problemas verificados na educação brasileira no período. Os indicadores são analisados com ênfase na situação educacional brasileira, segundo recortes de renda, localização (urbano/rural), região, cor ou raça e sexo.
O comunicado é o quinto da série de análises do Instituto sobre os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE). O Comunicado do Ipea nº 62 trata sobre o mercado de trabalho no Brasil em 2009, o nº 63 fala sobre a evolução da distribuição de renda entre 1995 e 2009, o nº 64 das tendências demográficas do país e o nº 65 sobre o aumento do número de mulheres chefes de família.
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Caminhos da Filosofia na Sala de Aula
No dia 27 de novembro acontece em São Paulo o VI Encontro de Escolas e Educadores Caminhos da Filosofia na Sala de Aula. O evento, que será realizado na Uninove – Campus Memorial –, é aberto ao público e as inscrições são gratuitas.
O Prof. Dr. Antônio Joaquim Severino (Uninove) falará sobre “Educação, formação e filosofia”. Na sequência, será a vez da Profa Dra. Patrícia Del Nero Velasco (UFABC) falar sobre a “Importância da educação para a argumentação nas aulas de Filosofia”.
A tarde será reservada para troca de experiências e debates entre os participantes.
Para se inscrever, basta enviar nome, RG, endereço completo, telefone, e-mail, o nome da instituição que representa e a função exercida para o e-mail lorieri@sti.com.br.
Mais informações pelo telefone (11) 3665-9324, com Douglas.
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VI Encontro de Escolas e Educadores Caminhos da Filosofia na Sala de Aula Data: 27/11/2010 – 9h às 17h
Tema: Educação, Formação e Filosofia
Local: Auditório do Prédio A (12º andar) do Campus Memorial da Uninove
Av. Dr. Adolpho Pinto, 109 - Água Branca - São Paulo, SP (próximo à estação Barra Funda do Metrô)
Inscrições gratuitas
Realização: Programa de Pós-Graduação em Educação da Uninove – Mestrado e Doutorado
O Prof. Dr. Antônio Joaquim Severino (Uninove) falará sobre “Educação, formação e filosofia”. Na sequência, será a vez da Profa Dra. Patrícia Del Nero Velasco (UFABC) falar sobre a “Importância da educação para a argumentação nas aulas de Filosofia”.
A tarde será reservada para troca de experiências e debates entre os participantes.
Para se inscrever, basta enviar nome, RG, endereço completo, telefone, e-mail, o nome da instituição que representa e a função exercida para o e-mail lorieri@sti.com.br.
Mais informações pelo telefone (11) 3665-9324, com Douglas.
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VI Encontro de Escolas e Educadores Caminhos da Filosofia na Sala de Aula Data: 27/11/2010 – 9h às 17h
Tema: Educação, Formação e Filosofia
Local: Auditório do Prédio A (12º andar) do Campus Memorial da Uninove
Av. Dr. Adolpho Pinto, 109 - Água Branca - São Paulo, SP (próximo à estação Barra Funda do Metrô)
Inscrições gratuitas
Realização: Programa de Pós-Graduação em Educação da Uninove – Mestrado e Doutorado
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Indicadores do IBGE e a Educação
No Sábado (18/9), o jornal O Estado de São Paulo, em sua página A24, publicou uma reportagem sobre os indicadores do IBGE no que diz respeito à Educação. Vale à pena ler não apenas a matéria principal, mas também a “retranca” “Mais pretos e pardos chegam à faculdade”. Tirando o título preconceituoso da versão impressa, a matéria é boa (na versão on line a palavra “pretos” foi substituída por “negros”). Faz-nos refletir sobre os rumos da educação no país.
Na mesma página há um gráfico e outras três notas sobre os indicadores relacionados à Educação que merecem ser lidas. Uma delas fala sobre o tempo de estudo, a outra sobre a relação tempo de estudo X trabalho e, por fim, a terceira fala sobre a relação idade de gravidez X tempo de estudo.
Na mesma página há um gráfico e outras três notas sobre os indicadores relacionados à Educação que merecem ser lidas. Uma delas fala sobre o tempo de estudo, a outra sobre a relação tempo de estudo X trabalho e, por fim, a terceira fala sobre a relação idade de gravidez X tempo de estudo.
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Oficina da Educação – Congresso de Leigos da Arquidiocese de SP
No sábado (18/9) aconteceu a etapa arquidiocesana da Oficina da Educação do Congresso de Leigos da Arquidiocese de SP. Foi realizada em um dos auditórios da PUC-SP. Tanto as exposições quanto os trabalhos em grupo foram muito interessantes.
Dom João Mamede Filho iniciou os trabalhos com uma oração e acompanhou todo o trabalho, inclusive participou de um dos grupos, e encerrou a atividade.
O professor Francisco Borba apresentou uma síntese das propostas vindas das oficinas realizadas em cada uma das regiões episcopais.
Em seguida, a Prof. Dra. Cecília Canalle, diretora do Colégio Notre Dame de São Paulo, o professor Dr. Antonio Marchionni, professor de Introdução ao Pensamento Teológico da PUC-SP, e a Prof. Dra. Maria Stela Graciani, diretora da Faculdade de Educação da PUC-SP, a partir da síntese das propostas das regiões, falaram sobre atuação dos cristãos na Educação. Infelizmente, o tempo curso impediu que eles pudessem contribuir ainda mais.
Após o almoço, os participantes
Dom João Mamede Filho iniciou os trabalhos com uma oração e acompanhou todo o trabalho, inclusive participou de um dos grupos, e encerrou a atividade.
O professor Francisco Borba apresentou uma síntese das propostas vindas das oficinas realizadas em cada uma das regiões episcopais.
Em seguida, a Prof. Dra. Cecília Canalle, diretora do Colégio Notre Dame de São Paulo, o professor Dr. Antonio Marchionni, professor de Introdução ao Pensamento Teológico da PUC-SP, e a Prof. Dra. Maria Stela Graciani, diretora da Faculdade de Educação da PUC-SP, a partir da síntese das propostas das regiões, falaram sobre atuação dos cristãos na Educação. Infelizmente, o tempo curso impediu que eles pudessem contribuir ainda mais.
Após o almoço, os participantes
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