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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Consciência Negra


Paulo Flores *

No dia 20 de novembro, a Paróquia Santuário São Judas Tadeu realizará, às 14h30, uma missa inculturada em comemoração ao Dia da Consciência Negra. Todos estão convidados.

Sobre consciência, a Bíblia nos ensina que é a compreensão que o povo tem da realidade, tendo como base o projeto de Deus. A consciência nos dá a capacidade de enxergar a ideologia da classe dominante. Com consciência, alcançamos o discernimento para trabalhar por uma sociedade fundada na justiça e na fraternidade, pontos fundamentais do Projeto de Deus. O Deus que se uniu ao povo marginalizado e explorado para promover a liberdade e a vida, em plenitude, para todos.

Mas, para que Deus promova liberdade e vida para todos, o povo precisa reconhecer que Ele está vivo no meio de nós, está vivo em nossos irmãos, e promover relações de partilha e fraternidade.

Infelizmente nossa sociedade está alicerçada na riqueza e no poder, conquistados graças à escravidão e a morte do Povo de Deus, entre eles os negros. Até hoje, muitas pessoas são exploradas para que poucas tenham luxo e desperdicem o que a maioria construiu com o suor de seu trabalho.

Que bom seria se, como diz Eclesiastes, todos pudessem desfrutar do fruto do suor de seu próprio trabalho. Mas, nem todos podem entrar no edifício que ajudou a construir. São privados daquilo que Deus nos deu: o direito de usufruir daquilo que produzimos.

Mais do que nos tirar a liberdade e os direitos, a sociedade na qual vivemos classifica as pessoas como boas ou ruins de acordo com o que cada um possui. Neste mundo capitalista, é melhor quem possui mais, quem consome mais.

Mas, esse sistema econômico, que nos é imposto como se fosse a única alternativa de organização do mercado, faz ainda pior. Classifica as pessoas de acordo com a cor de sua pele, com sua religião, de acordo com sua origem... Com isso, “nos força” a disputar espaço e status com outras pessoas que, como nós, são exploradas por esse mesmo sistema. Nos separa, nos fragmenta para que não tenhamos forças para nos unir e exigir as mudanças necessárias para que a sociedade seja aquela que Deus quer, fundada na justiça e na fraternidade e que leva todo o povo à liberdade e à vida em plenitude.

Que neste dia 20 de novembro, quando comemoramos 40 anos de lutas e festividades pela Consciência Negra, todos os povos, de todas as raças, de todas as cores e de todos os credos, se inspirem em Zumbi dos Palmares e se unam para lutar pela liberdade não apenas de alguns, mas de todos.

E que Deus esteja sempre conosco! Axé! Assim seja!

* Jornalista, participa da Comunidade Cristo Rei, membro do Núcleo de Coordenação das Comunidades da Paróquia Santuário São Judas Tadeu e da Equipe de Teologia e Formação do Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo.




segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Baixa renda recebe menos conteúdo

A reportagem abaixo, publicada hoje (29/08) no jornal O Estado de S. Paulo, fala de um estudo baseado nos microdados da Prova Brasil. Aponta que os alunos de baixa renda recebem menos conteúdo, uma constatação antiga, mas é importante por quantificar essa constatação, por torná-la científica. Vale à pena ler.


Alunos de baixa renda recebem menos conteúdo

Dados de avaliação de escolas públicas mostram que só 1 em cada 6 unidades com estudantes mais pobres dão 80% da matéria prevista

29 de agosto de 2011
Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo

Apenas uma em cada seis escolas públicas do País que recebem alunos de classes sociais mais baixas consegue cumprir mais de 80% do conteúdo previsto para o ano letivo. Já entre as unidades escolares onde estudam as crianças de nível social mais elevado, essa taxa sobe para 45,2% - ou seja, metade das escolas que têm as matrículas de alunos com melhores condições socioeconômicas conseguem cumprir quase todo o currículo.

Os dados fazem parte de um tabelamento dos microdados da Prova Brasil 2007 feito pelo pesquisador Ernesto Martins Faria, do site Estudando Educação (estudandoeducacao.com). Os dados de 2009 ainda não foram divulgados e não há previsão de publicação.

Faria levou em conta os questionários socioeconômicos que compõem a avaliação (mais informações nesta página). Foram consideradas todas as 47.976 escolas que fizeram a prova. Delas, 11.994 têm alunos com condições socioeconômicas precárias matriculados.

A maior parte dessas escolas se situa nas Regiões Norte e Nordeste do País. Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins têm pelo menos uma escola pública com esse perfil.

Para Faria, a situação é preocupante porque os alunos que são atendidos nessas escolas são justamente os que chegam mais defasados. "São esses que mais necessitam de atenção porque, normalmente, vêm de famílias em que os pais têm escolaridade baixa", explica.

Para ele, o contexto se agrava porque essas escolas são aquelas que não apresentam uma infraestrutura de qualidade - geralmente, não têm grandes bibliotecas, prédios em condições adequadas e boas equipes pedagógicas. "O aluno precisa estudar numa escola onde ele sinta que há incentivo. Não é o que acontece numa escola que não dá todo o conteúdo programado."

Problemas. O não cumprimento do currículo escolar nesses colégios pode ter origem em diversas fontes, segundo os especialistas. As faltas dos alunos são apontadas como um dos fatores e podem ocorrer por diversos motivos, como a dificuldade de acesso ao colégio - em municípios do interior do País, por exemplo - e as condições ruins de infraestrutura da escola - que não são suficientes para garantir as aulas.

"É claro que entre o que está programado e o que é cumprido existe sempre uma diferença", afirma Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). "Mas existem escolas onde faltam luz e cadeiras."

O absenteísmo dos docentes também aparece entre as possíveis causas. "As escolas situadas nas regiões mais pobres têm mais dificuldades para atrair e manter professores", afirma Alavarse. "Tudo isso pesa no conteúdo a ser desenvolvido."

Antonio Batista, coordenador de desenvolvimento de pesquisas do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), chama a atenção para o fato de que o Brasil não tem um currículo único - ou seja, cada cidade e Estado tem suas próprias programações de conteúdos.

"Em tese, o não cumprimento do currículo significa menos conteúdo e um cerceamento do direito da criança a uma aprendizagem de qualidade", afirma. "Apesar disso, em certos casos, cumprir todo o currículo não implica necessariamente que a criança aprenda tudo, porque, para alcançar a abordagem completa de currículos muito extensos, o ensino pode se tornar muito superficial ou sobrecarregar a criança de informações."

Para os pesquisadores, procurar soluções para resolver o quadro passa por meios que fixem o professor nessas escolas. "Em vez de dar bônus, o melhor seria investir na melhoria da infraestrutura e dar adicionais a esses docentes dentro de uma política de carreira", afirma Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

PARA ENTENDER
São 4 faixas de renda

A pesquisa dividiu as escolas que participaram da Prova Brasil em quatro faixas de renda, de acordo com a quantidade de bens que os alunos declararam possuir - como TV, rádio, carro e geladeira, por exemplo. Entraram também nessa conta o serviço de empregada mensalista e a quantidade de banheiros de cada casa.

A somatória de todos os itens deu uma pontuação a cada aluno, que foram divididos em quartis de acordo com a classe socioeconômica.

A Prova Brasil avalia, de dois em dois anos, os alunos de 5.° e 9.° anos do ensino fundamental da rede pública. Além das questões de matemática e língua portuguesa, os estudantes respondem a questionários socioeconômicos que podem ser associados ao desempenho deles na avaliação. Professores e diretores também respondem a questionários.

Fonte: O Estado de S. Paulo

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Publicado acórdão do STF: lei do piso é constitucional!


Foi publicado no dia 23/08/11 o acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) no qual a corte afirma que a lei 11.738/08 (Piso Salarial Profissional Nacional) é constitucional.

O acórdão se refere à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) movida pelos governadores de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul (que se retirou da ação) e Ceará contra a lei 11.738/08 (piso salarial profissional nacional). A ADIN foi apoiada pelos governos de São Paulo, Distrito Federal, Tocantins, Minas Gerais e Roraima que, entretanto, não a subscreveram.

Um dos alvos da ADIN era o dispositivo da lei que determina que no mínimo 1/3 da jornada de trabalho deve ser dedicado a atividades extraclasse. Veja no verso a íntegra do acórdão.

Aplicação da lei no Estado de SP
No dia 8 de junho a APEOESP recebeu ofício da Secretaria da Educação informando que pretende aplicar a lei, mas que aguardava a publicação do acórdão. De nossa parte, sempre reafirmamos a constitucionalidade da lei e lutamos pela sua aplicação imediata. Assim, a publicação reforça nossa luta e o assunto ganha ainda mais destaque na nossa pauta com o governo estadual.

Fonte: Fax Urgente - Apeoesp

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Entrelinhas de uma “reportagem”

O jornal Folha de S. Paulo de 8/8/2011 trouxe dois textos relacionados à educação que merecem ser lidos. Um deles é o texto Bolsa X Aprendizagem, sobre um estudo da FGV que relaciona o recebimento de recursos do Bolsa Família com o aprendizado de jovens que fazem parte de famílias beneficiadas pelo programa na cidade de São Paulo.

Apesar de o jornal enfocar um suposto dado ruim levantado pela pesquisa (os jovens de famílias beneficiadas têm desempenho igual ou inferior ao de outros de mesmo perfil sócio-econômico), quem lê o texto com cuidado pode entender nas entrelinhas o que o jornal não mostrou (ou escondeu, como preferirem). Para quem não conseguir entender, segue abaixo algumas observações de um colega de profissão dos autores do texto da Folha.

  1. Segundo o texto, é feita uma comparação entre o aprendizado entre jovens. Mas, em nenhum momento se observa se o desempenho dos jovens beneficiados, individualmente, melhorou depois que sua família passou a receber o benefício. Quem entende um só um pouquinho de Pedagogia e não quer apenas fazer um levantamento estatístico saberia que a avaliação deveria levar em conta o desenvolvimento cognitivo do aluno. A comparação com outros alunos deveria servir apenas para saber qual o nível médio de desenvolvimento na mesma série/ano, faixa etária do grupo social ao qual o jovem pertence;
  2. Outro ponto bastante importante, mas ao qual a reportagem/edição não deu tanta importância é com relação ao fato de que o Bolsa Família reduz a evasão escolar. Mesmo que o Bolsa Família não melhore a qualidade da educação, ele contribui para segurar o jovem na escola, o que já é uma grande coisa, como se pode notar no texto O paradoxo do ensino médio, publicado no mesmo dia e no mesmo jornal (leia comentários sobre esse texto);
  3. A terceira parte do texto vai para o lugar comum: “É preciso melhorar a qualidade da educação”. Isso não é novidade, todo mundo concorda com isso. Não é preciso realizar novas pesquisas para mostrar isso. Além do mais, os dados levantados pela pesquisa são questionáveis (leia texto Os efeitos do Bolsa Família na educação).

O paradoxo do ensino médio


O jornal Folha de S. Paulo publicou hoje o texto com o título desta postagem: O paradoxo do ensino médio.

O autor, Fernando Veloso, foi muito feliz em suas colocações. Ele explica que, apesar da baixa qualidade, o ensino médio pode representar ganhos significativos para os jovens que o concluem. Se não em conhecimento e desenvolvimento cognitivo, pelo menos na possibilidade de verem a média salarial aumentar em mais de 30% em relação ao salário daqueles que cursaram apenas o ensino fundamental. Mas, segundo o autor, o paradoxo é que, mesmo com esse retorno monetário, ainda são baixas as taxas de matrícula e de conclusão no ensino médio.

Veloso aponta duas possibilidades pelo desinteresse dos jovens pelo ensino médio: 1. O aumento percentual de salário para o grupo específico de jovens que preferem não completar o ensino médio não seria tão grande quanto a média percentual de retorno monetário apresentada; 2. Os jovens desconhecem a informação do possível aumento percentual de salário para os concluintes do ensino médio.

Vale ressaltar que o texto se vale de reportagens publicadas no mesmo jornal (Folha de S. Paulo) que afirmam que 40% dos jovens evadem o ensino médio não por ter que trabalhar para ajudar a família, como muitos pensavam, mas por falta de interesse.

Eu aponto um terceiro possível motivo. O ensino médio está tão ruim e tão desvinculado da vida dos jovens que, mesmo sabendo do retorno financeiro, os jovens não conseguem permanecer na escola e evadem. Desacreditam que tamanha falta de nexo possa levar as empresas, mesmo conhecedoras da baixa qualidade da educação, concordarem em conceder aumentos salariais apenas por um papel chamado diploma. Pensando dessa forma, digo: Realmente o diploma não deveria valer tanto. O que deveria ter valor é a boa educação, o bom conteúdo, a boa aula... não uma folha de papel.

Aliás, para não dizer que estou comparando fontes diferentes, o mesmo jornal (Folha de S. Paulo), publicou no dia 20 de março de 2011, a reportagem Escolarizado é maioria entre desocupados na qual informa que faltam vagas para jovens que concluíram o ensino médio e sobram para aqueles que têm somente o fundamental, justamente porque as vagas disponíveis são para cargos com menores salários. Caramba! Que paradoxo! Se eu concluo o ensino médio não tenho vaga de trabalho, se não concluo ganho um salário-de-fome... Vladimir Lênin diria: Que fazer?* Mas, o jornal aponta que Mudança exige que trabalhador de nível médio ajuste expectativa, que País precisa aumentar formação técnica e que Falta de experiência afeta pessoas de baixa renda.

"O pulso ainda pulsa" e o paradoxo permance.

*Livro no qual Lênin aponta caminhos e ações a serem seguidos para se efetivar e se manter a revolução operária, para dar uma explicação básica.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Maria, que vida...

Fazia algum tempo que queria ter postado um texto sobre esse curta de 8min31seg. Mas, todas as vezes que eu encontrava algo sobre ele as imagens já haviam sido bloqueadas em decorrência dos direitos autorais do produtor.

Concordo que o produtor tem que cobrar por essa obra de arte, mas privar a sociedade de ver esse pequeno filme é uma afronta... hehehe... Agora, encontrei um lugar que me parece não estar sujeito ao bloqueio das imagens. Então, aproveitem... e logo, antes que as imagens sejam bloqueadas mais uma vez.

Com certeza vocês vão amar e poderão refletir sobre o que faz com que a sociedade permaneça como sempre foi.

Uma PRECIOSA história de esperança

O filme Preciosa - Uma história de esperança aborda assuntos como: violência doméstica, preconceito, gravidez na adolescência e educação.

Numa trama dramática, a história de uma jovem negra do Halem nos instiga a refletir sobre o papel da família na construção da auto-imagem da pessoa e a importância dos profissionais de educação estimularem seus alunos a sonhar e a ir além do que pensam ser capazes de realizar.

Expulsa de um colégio regular, Preciosa é encaminhada para um curso supletivo. Mas, o que parecia ser um castigo na verdade foi um “divisor de águas” na vida da jovem, que com a ajuda da professora descobre seu talento para escrever, sua facilidade em matemática e principalmente, que é possível redigir uma história diferente daquela que sua família violenta insistia em lhe destinar.

Título original: (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire)
Lançamento: 2009 (EUA)
Direção: Lee Daniels
Atores: Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Rodney Jackson, Paula Patton.
Duração: 110 min
Gênero: Drama

sábado, 30 de abril de 2011

IBGE divulga preliminares do Censo 2010

Lembra que no ano passado pesquisadores do IBGE foram de casa em casa com uma maquininha em mãos captando dados da população. Incrível o que a tecnologia não faz. Ontem foram divulgados os primeiros dados do Censo 2010.

Incrível também é ver que, somente o avanço tecnológico não é capaz de superar a falta de distribuição de renda e a diferença entre as classes sociais.

Os dados preliminares apontam que 14 milhões de brasileiros acima dos 15 anos não sabe ler nem escrever. Isso não é pouco. Representa 9,6% da população, que agora chega a 190 milhões de pessoas.

É claro que, com tamanha desigualdade de distribuição de renda, a maioria dos analfabetos do país está no Nordeste. Sozinha região concentra 53,3% dos analfabetos brasileiros (7,43 milhões de pessoas). Lá, o índice de analfabetismo é de 19,1%. Em Alagoas chega a 24,3%.

Se olharmos os dados de 2000 veremos que houve uma grande melhora. O Censo daquele ano apontava que 33,4% da população de Alagoas eram analfabetos. Veremos também que as regiões Nordeste e Norte, que têm os piores índices são as regiões que apresentaram, percentualmente, as maiores quedas do analfabetismo.

Mas, ao analisarmos os dados do Censo de 2010, veremos que as disparidades ainda são enormes entre os estados mais pobres e mais ricos da Nação e mesmo entre as áreas rural e urbana.

Quanto tempo mais vamos ter que esperar para que o desenvolvimento econômico e tecnológico do país proporcione também o desenvolvimento social? Quanto tempo mais vamos ter que esperar para que não haja tanta diferença entre as classes sociais? Mostram o “doce” para a “criança” e não querem que ela fique com vontade de comê-lo. Depois reclamam dos furtos e roubos nos semáforos.

Taxas de analfabetismo
2000
2010
Brasil
13,6%
9,6%
Norte
16,3%
11,2%
Nordeste
26,2%
19,1%
Centro-Oeste
10,8%
7,2%
Sul
7,7%
5,1%
Sudeste
8,1%
5,5%


quinta-feira, 28 de abril de 2011

É sério, ou estou ouvindo coisas?

Ao abrir o jornal hoje, li uma chamada que me deixou impressionado: “Professor terá 1/3 da jornada fora de sala”. Trata-se de uma decisão do STF que, finalmente, obriga que se considere o tempo utilizado por professores da educação básica (ensino infantil, fundamental e médio) para o planejamento de aulas e aperfeiçoamento profissional como horas trabalhadas.

Como já relatado neste blog, no início do mês, o Supremo já havia confirmado a validade da lei que fixou o Piso Nacional para os professores.

Como naquela ocasião, recomendo cautela na comemoração. Apesar da decisão, o Judiciário poderá analisar novamente as regras que fixaram a divisão da jornada de trabalho dos professores. Isso porque não foi formada uma maioria na votação. Dessa forma, o resultado do julgamento não teve um efeito vinculante e o assunto poderá ser debatido de novo no futuro durante o julgamento de ações movidas por outros Estados ou municípios.

Vale à pena ler texto sobre esse mesmo assunto postado no blog do Luiz Araújo.

sábado, 9 de abril de 2011

Princípios inegociáveis

O blog Uma liberdade virtual publicou uma reflexão sobre “princípios inegociáveis”. Acho muito importante a discussão sobre esse assunto. Atualmente parece que as pessoas não têm muitos princípios. Ou, então, os meus valores são muito diferentes. Será que sou anacrônico? Para onde vai a sociedade?

Reproduzo abaixo a postagem, mas vale à pena acessar o blog citado. Tem muita coisa legal lá.

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Quais são seus princípios inegociáveis?

“Fonte ou causa de uma ação” Dicionário Aurélio.

“Ponto de partida; Norma de conduta; Modo de ver; opinião, parecer: Sempre fiel aos seus princípios; Doutrinas fundamentais ou opiniões predominantes: Princípios políticos.” Dicionário Michaelis.

Será que é isto mesmo? Para mim, princípio é uma coisa “hormonal” que é construída socialmente e torna-se como ponto de partida para as práticas cotidianas. Os princípios norteiam o indivíduo a partir do momento que ele é internalizado e começa a fazer sentido defendê-lo. Os meus princípios inegociáveis são justiça, igualdade, solidariedade e Indignação. Contudo definir princípios é extremamente difícil porque no fundo são sentimentos importantíssimos que carregamos e talvez as palavras não consigam expressar.

Apesar de servir individualmente esta pergunta é também necessária fazê-la para as entidades civis. Por exemplo, resolvi fazer esta pergunta no Seminário Interno da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) do Rio de Janeiro e Niterói a qual faço parte como coordenador de comunicação e a resposta foi a seguinte: “horinzontalidade entre os sócios; autonomia das seções locais; e gestão coletiva”.

Fica a pergunta para você e para sua entidade (caso faça parte de uma).

Gustavo Azevedo, Geógrafo e Educador.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Piso aprovado, mas professores ainda podem ser pisados

A categoria dos professores conquistou uma importante vitória na tarde de ontem. O STF considerou constitucional a Lei 11.738/08, conhecida como Lei do Piso (veja explicação). Essa era uma reivindicação antiga da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação).


O Governo Lula havia sancionado a Lei em 2008, mas governadores entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4167) alegando que ela feria a Constituição Federal ao se intrometer em questões orçamentárias dos estados e municípios, ferindo o Pacto Federativo. Outros pediam alterações na Lei, de forma que os famigerados bônus e gratificações pudessem ser considerados no cômputo do piso, o que a lei não permite.


Foi uma vitória de batalha, mas a guerra não acabou. Ainda não é possível baixar a guarda. Um dos pontos da lei (que diz respeito à quantidade de horas a serem trabalhadas e as que devem ser reservadas para o HTP) ainda foi votado por falta de quórum para sua aprovação. Ou seja, se os professores não ficarem atentos, vão querer que o piso seja pago àqueles que estiverem 24h por dia em sala de aula.


Fonte: Uol Educação

História da África: Para corrigir falhas no ensino

Ficará pronto no segundo semestre deste ano o material pedagógico para o ensino obrigatório da história da África nas escolas da rede pública e do setor privado, conforme determina Lei 10.639, de 2003. Segundo o coordenador-geral de Diversidade do MEC (Ministério da Educação), Antônio Mário Ferreira, estão sendo elaborados livros para professores e alunos desde o nível infantil até o ensino médio e fundamental. Além disso, será disponibilizado um atlas, que relaciona a África com os demais continentes e, em especial, a ligação com o Brasil e a América Latina.

Ferreira participou hoje (6) do lançamento, em São Paulo, da coleção História Geral da África, na versão em português, no Teatro Tucarena, na PUC (Pontifícia Universidade Católica), na capital paulista.

O representante do MEC informou que será feito um resumo da coleção para ser usado nas universidades. “A partir desta obra vamos reconstruir a história do Brasil e propiciar para o ensino futuro o conhecimento sobre a história da África e dos negros no mundo. Serão homens e mulheres que vão perceber a diversidade e as reais origens da etnia social ”, disse.

Ferreira observou

sábado, 2 de abril de 2011

As melhores coisas do mundo

Assistam o filme "As melhores coisas do mundo", direção de Laís Bodanzky. Uma escola de classe média é o cenário para abordar várias questões como formação de valores, sexualidade, adolescência, participação social etc.

O filme está disponível no Youtube, dividido em oito partes. Segue link da primeira parte.

Vejam e depois me contem... Ou me convidem pra um debate, qualquer hora dessas!

terça-feira, 29 de março de 2011

Discurso religioso

Acabei de receber em meu e-mail uma “oração” que tive que postar aqui. É uma súplica dos professores de São Paulo ao Senhor! Não consegui achar onde foi postado originalmente, mas o Adilson pode ser achado no twitter.

Discurso Religioso, por Adilson Ferreira
Ó Senhor, tende piedade desses pobres professores que estão correndo riscos de saúde, com a ansiedade de um prêmio que eles não sabem se virá. Protegei vossas almas para o pior que virá! A destruição do Estatuto do Magistério legitimada com reuniões com um secretário raposa disfarçado de bom moço... e a TPB (Tensão Pré-Bônus) que faz com que colegas passem noites sem dormir e consequentemente interferindo em vossas saúdes. Senhor tenha piedade deste povo que está apenas começando a sentir as dores que virão depois de saberem que não receberão nada mais além de mil reais e olhe lá de bonificação fora o que o imposto de renda comer. Aliviai vossas tensões para que não caiam em depressão! Amém!

continuação discurso religioso , por Prof. Jooba
Senhor, e se caso já nos encontrarmos em depressão, também nos ajude para não fazermos nenhuma besteira, pois se continuarmos sem pagar aluguel, pensão etc e tals poderemos ir presos e sair grandes marginais das cadeias públicas, podemos virar homens e mulheres bombas Senhor. Não me deixe virar um fora da lei vendedor de cds piratas e orégano senhor. Esse salário infeliz está destruindo minha família Senhor, por favor Senhor mate e pise q nem pisamos nas baratas Senhor, nesses filhos do Satã q comandam a Educação e os bens públicos. Também não nos deixe virar anarquistas terroristas Senhor. Amém!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Preconceito: Inimigo da boa educação

Recebi a mensagem abaixo de uma das minhas irmãs. É uma “corrente”? É. Sei do preconceito que muita gente tem das “correntes” que circulam pela internet. Eu mesmo sou uma dessas pessoas. Detesto “correntes”. Como gosto muito desta minha irmã e sei que ela não me mandaria uma coisa que eu não fosse gostar, li o texto. Consegui tirar muitas coisas boas dele. É verdadeiramente o exemplo de um dos aspectos da educação que defendo. Mais do que isso, é uma mostra que temos que aproveitar aquilo que há de melhor em todas as coisas –até nas correntes– e deixar nosso preconceito de lado. Aliás, o preconceito é um dos entraves que impedem o exercício da boa educação.

Espero que vocês também possam aproveitar o que o texto tem de melhor.

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Um avô e seu neto caminhando pelo quintal, ora se agachando aqui, ora ali, em animada conversação, não é cena muito comum nos dias atuais.

O garoto, de 4 anos de idade, aprendia a cultivar e a cuidar das plantas com o exemplo do seu avô, que tinha tempo para o netinho, sempre que este o visitava.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Educação acaba em Pisa

Paulo Flores

Além da feijoada, o “cardápio” desta quarta-feira (8/12) tinha muito Pisa. Veja bem, não é pizza, é Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Consequência da divulgação do resultado da avaliação realizada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) a cada três anos, com a finalidade de medir a qualidade da educação nos países desenvolvidos e em outros convidados a participarem da avaliação, como o Brasil.

A maioria (se não todos) dos veículos da chamada “grande imprensa” estampou em suas capas chamadas para reportagens sobre o desempenho do Brasil no Pisa.

Alguns textos exaltavam a melhora do Brasil na pontuação obtida no exame realizado em 2009, na comparação com o anterior, realizado em 2006. Expunham informação creditada ao MEC de que o país é o terceiro em melhora de desempenho desde o início da pesquisa, em 2000.

Houve também aqueles que menosprezaram a suposta melhora no desempenho dos estudantes brasileiros. Preferiram se apegar ao fato de que, mesmo com a melhora de desempenho, o país ainda é um dos últimos na avaliação (53º colocado entre 65 países avaliados). Esses também ressaltaram que os estudantes brasileiros estão bem abaixo da média. Mais da metade não consegue decifrar informações implícitas em um texto curto.

“Estudantes, esses burros!”. Isso é o que pode transparecer as reportagens. Mas, elas também deixam claro que o Governo (Federal é claro) é o culpado pela mazela educacional brasileira, apesar de as escolas públicas federais terem tido desempenho superior até mesmo ao das escolas particulares e serem as escolas públicas estaduais e municipais as que puxam para baixo a classificação brasileira.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Faltam cinco anos para Brasil cumprir meta de escolaridade estabelecida pela Constituição

Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que, se mantido o ritmo dos últimos 17 anos, somente em 2015 o país cumprirá a escolaridade de oito anos, conforme é exigido pela Constituição.

Em 1992, a média de anos de estudos para a população de 15 anos ou mais era 5,2 anos. Em 2009, foi de 7,5 anos. Foram necessários 17 anos para ampliar em 2,3 anos a média de anos de estudo da população. "Considerando-se essa taxa anual de crescimento, faltam, ainda, cerca de cinco anos para se atingir, em média, a escolaridade originalmente prevista na Constituição Federal (ensino fundamental ou 8 anos de estudo)", diz o Comunicado nº 66 do Ipea.

Segundo o Ipea, a baixa escolarização e o elevado número de analfabetos entre adultos e idosos prejudica o desempenho e um dos mais graves problemas é o analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais.

Ao compararmos a taxa brasileira de analfabetismo com outros países

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ipea analisa dados da PNAD sobre educação

Comunicado n° 66 analisa avanços e desafios da educação com base nos dados de 2009 do IBGE


O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulga nesta quinta-feira (18/11) o Comunicado do Ipea n° 66: PNAD 2009 – Primeiras Análises: Situação da educação brasileira - avanços e problemas.

O texto analisa a evolução da educação no período de 1992 a 2009 e traça um quadro atual da escolarização da população brasileira, tendo como base indicadores da área.

O comunicado apresenta ainda o hiato educacional, que mede a quantidade de anos de estudo necessária para que a meta da educação seja atingida. Também há dados e informações sobre analfabetismo.

A análise busca refletir os avanços e problemas verificados na educação brasileira no período. Os indicadores são analisados com ênfase na situação educacional brasileira, segundo recortes de renda, localização (urbano/rural), região, cor ou raça e sexo.

O comunicado é o quinto da série de análises do Instituto sobre os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE). O Comunicado do Ipea nº 62 trata sobre o mercado de trabalho no Brasil em 2009, o nº 63 fala sobre a evolução da distribuição de renda entre 1995 e 2009, o nº 64 das tendências demográficas do país e o nº 65 sobre o aumento do número de mulheres chefes de família.